quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

PERSONALIDADES MÚLTIPLAS E SUBPERSONALIADES


PERSONALIDADES MÚLTIPLAS E SUBPERSONALIADES

Personalidades Múltiplas
Personalidades Múltiplas (anímicas) são as personalidades construídas e vividas em outras existências. Possuem nome, sobrenome, títulos, têm opiniões próprias, defendem patrimônios, idéias e vestem-se com roupas da época; geralmente apresentam idade e até polaridade sexual diferente da personalidade atual. Podem ser ouvidas e questionadas por qualquer pessoa e, observadas por aqueles que são sensitivos ou médiuns, que tem o dom da vidência ou percepções extra-sensoriais aguçadas. Devido a continuidade da vida após o processo da morte do corpo físico, muitas ainda nem se deram conta que desencarnaram daquele corpo que não mais existe, embora já estejam ligadas a um outro (novo) corpo físico, ou então, mesmo se dando conta, preferiram ignorar a sua situação e viver uma vida separada e dissociada do núcleo consciencial.

A existência dos múltiplos “eus” remontam de muitas culturas sem serem relacionados a distúrbios mentais. Assim, para o paradigma reencarnacionista, a denominação DMP (distúrbio das múltiplas personalidades), como estava no DSM–III (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria), é muito mais adequada. Já a denominação DDI (distúrbio dissociativo da identidade), interpretado como distúrbio mental, tornou-se diagnóstico oficial da Associação Psiquiátrica Americana em 1980 (DSM-IV).
A visão materialista (não reencarnacionista) não pode admitir o conceito de personalidades múltiplas, dado que, dentro do paradigma materialista a pessoa nasce com uma só personalidade. Então, se aparecer outra, é relacionada como distúrbio mental.

Algumas modalidades de “personalidades múltiplas” foram observadas e estudadas por William James e Pierre Janet, no final do século XVIII, pioneiros na sua identificação. Mais tarde, outros estudiosos como os psiquiatras americanos drs. Corbett H. Thigpen e Hervey M. Cleckley, relataram suas experiências clinicas através da escrita de James Poling, nos livros “As Três Faces de Eva” e a “A Face Final de Eva”, onde conta a história de Evelyn Lancaster que sofria de Desordem das Múltiplas Personalidades. Relacionamos também o caso deIsabel Dorsett que deu origem ao filme e livro do mesmo nome “Sybil”, paciente com severos problemas de ansiedade social e perda de memória, que no decorrer da terapia realizada pela psiquiatra Dra. Wilbur, revela 16 personalidades distintas.Podemos citar ainda outros livros ainda não publicados no Brasil como é o caso de “The Family Inside – Working with the Multiple” de Doris Bryant, Judy Kessler, and Lynda Shirar, “Subpersonalities – The People Inside Us” de John Rowan, e “Multiplicidade – a nova ciência da personalidade” deda Rita Carter, além dos estudos de Jung, Assagiolli e, dentro da Doutrina Espírita, estudos realizados pelos espíritos André Luiz e Joanna de Angelis, que vieram lançar luz do lado espiritual e esclarecer bastante o tema.

Para enfatizar o assunto e alertar alguns espíritas que tem dificuldade de aceitar a Apometria, citaremos Manoel Philomeno de Miranda no livro “S.O.S. Família”, no capítulo “Personalidades Parasitas”, página 84, onde refere-se a “personagens que assomam do inconsciente”, Já no livro “O Despertar do Espírito”, na 1ª edição, páginas 41/42) Joanna assim se expressa: “nesse imenso oceano – o inconsciente – movem-se os “eus” que emergem ou submergem, necessitando de anulação e desaparecimento através das luzes do discernimento da consciência do Si.” (Joana de Angelis, Divaldo Franco). André Luiz, em “Mecanismos da Mediunidade”, no capítulo “Obsessão e Animismo”, página 165, afirma: “frequentemente, pessoas encarnadas, exprimem a si mesmas, a emergirem das subconsciências nos trajes mentais em que se externavam noutras épocas,...”

Ambos deixam claro nesses textos a emersão de “personalidades múltiplas” ou personalidades vividas em outras existências e reativadas por alguma razão. Em Apometria, “subpersonalidades” e “personalidades múltiplas”, por um equívoco conceitual, vem sendo entendidas ou confundidas com “níveis” ou com “corpos”, mas não são a mesma coisa. Todos apresentam características e propriedades diferentes, embora sejam estruturas, elementos e fenômenos pertencentes ao homem-espírito.

As Personalidades Múltiplas Sucessivas constituem o somatório de centenas de existências que o ser experimentou, nas mais variadas épocas, raças, condições sociais, morais, distintos graus de intelectualidade, nos diversos ramos do conhecimento e latitudes geográficas. O somatório dessas experiências, forma a consciência que se manifesta atualmente, arrastando resquícios dos papéis que desempenharam, dos apegos que se atrelaram, dos gostos, vícios e preferências que cultivaram, dos aprendizados que fizeram. Aos poucos, tudo isso se fundirá à individualidade, na formação de novas personalidades, mais ricas e mais complexas, mais experientes e poderosas, mais sábias e luminosas, em busca de novos valores e horizontes, sabedoria e angelitude.

As Subpersonalidades


As “subpersonalidades” (fenômeno personímico) são desdobramentos do bloco de ego, ou projeções da atual personalidade. Foram observadas e estudadas por Pierre Janet em 1898, quando, inclusive chegou a propor um modelo dissociativo da psique, defendendo a idéia de que “a consciência pode dividir-se em partes autônomas, de sofisticação e abrangência variadas”.

Este estudo foi ampliado por Jung, ao tratar os complexos. Entendia ele que “os vários grupos de conteúdos psíquicos ao desvincular-se da consciência, passam para o inconsciente, onde continuam, numa existência relativamente autônoma, a influir sobre a conduta".

Não foi à toa que Jung desenvolveu o seu famoso experimento de associação de palavras e a noção de complexo e o introduziu no vocabulário da psicologia. Na realidade, estava explorando e confirmando a principal lição recebida de Pierre Janet: “A psiquê, tal como se manifesta, é menos um continente do que um arquipélago, onde cada ilha representa uma possibilidade autônoma de organização da experiência psíquica”.
Uma forma interessante que Jung encontrou para falar dessa constatação e idealizar uma imagem da consciência, onde alguns elementos são subentendidos como ilhas de um arquipélago e outros como habitantes dessas ilhas, com possibilidades de autonomia, organização e independência, mesmo que relativa.
O assunto continua atual, tanto é que, em recente e interessante reportagem intitulada “Demônios internos (2)”, publicada na revista Veja, edição número 1932 – 23.11.2005, o repórter Tiago Cordeiro relata o que foi chamado de “A incrível história do acadêmico americano (Robert Oxnam) que tinha onze diferentes personalidades” (Personalidades Múltiplas e Subpersonalidades).

“No começo dos anos 90, o americano Robert Oxnam, hoje com 62 anos, era um respeitado acadêmico, especialista em história da China e geopolítica asiática. Ele até assessorou o ex-presidente George H. Bush numa viagem à China. Sua vida privada, por outro lado, era um caos. Sofria de alcoolismo e bulimia, tinha crises de amnésia e incompreensíveis ataques de fúria. Decidiu então procurar ajuda médica. Um dia, viu-se surpreendentemente informado pelo psiquiatra de que o tempo de sua sessão havia terminado. "Passei os últimos cinqüenta minutos conversando com Tommy", explicou o médico. "Ele está dentro de você e está furioso." Era o diagnóstico: Oxnam sofria de um distúrbio mental raro, chamado transtorno dissociativo de identidade. Ou, como é mais conhecido, de Transtorno das Personalidades Múltiplas. No caso dele, eram onze. Havia Tommy, um menino de 8 anos, duas mulheres, adolescentes e acadêmicos de comportamentos variados.”

Após quinze anos de tratamento, Oxnam decidiu escrever sua autobiografia. A Fractured Mind (Uma Mente Fragmentada) foi publicada nos Estados Unidos. O distúrbio que afetou Oxnam costuma surgir na infância, em geral causado por uma experiência traumática. Enquanto é estuprada ou espancada, a criança pode imaginar que é outra pessoa e assim desdobrar-se.

"O distúrbio surge quando, numa situação desesperada, a pessoa sente que perdeu o controle sobre o próprio corpo e luta para manter, pelo menos, o controle da mente", disse a VEJA o especialista americano David Spiegel, da faculdade de medicina de Stanford.”

No livro, depois de deixar que cada personalidade dê sua própria versão, finalmente é possível conhecer Baby. É ele quem revela que Oxnam foi sexualmente abusado quando era um garotinho. Esta seria a explicação para seu estranho distúrbio.

“O longo tratamento permitiu-lhe livrar-se de muita gente que vivia em sua cabeça. São agora apenas três – Bobby, Tommy e Wanda –, além, claro, do Robert original. A personalidade que assume com maior freqüência é Bobby, garotão que anda de skate no Central Park, em Nova York. "Bobby passa de quatro a cinco horas passeando com seu skate", diz Oxnam. "Mas ele tem 20 anos. Eu, que tenho 62, é que sofro no dia seguinte."
A seguir, faremos um resumo das características de cada personalidade alternante vivida por Oxnam:

Robert é a personalidade original. Como Robert, ele fez carreira acadêmica e chegou a consultor da Casa Branca. Bobby, skatista e brincalhão, eternamente com vinte anos, com tendências suicidas.
Tommy, garoto de oito anos, sujeito a freqüentes acessos de violência. Wanda, mulher de meia idade, budista e silenciosa. Ajudou a controlar a Bruxa.
A Bruxa, agressiva e responsável pelas crises de alcoolismo e bulimia de Robert.
Bob, jovem tímido, obcecado pelos estudos. Passava todo o tempo livre compilando as anotações feitas em aula.
Baby, criança com histórico de violência sexual. Vive em pânico, com medo de ser punido.
Robbey, adolescente com personalidade oposta a de Bobby. Muito tímido.
O Bibliotecário, Pesquisador acadêmico de trinta anos. Obcecado pelos estudos, vive cercado de livros.

Lawrence, pesquisador como o Bibliotecário, mas sociável e carreirista.
Olhos, presença indefinida, que surgia em momentos de crise para criticar Robert de forma negativa.

Analisando esses elementos “Personalidades Múltiplas” e “Subpersonalidades”, fenômenos “anímicos” e “personímicos”), relatados pela revista Veja, sem dúvida alguma deixam clara a existência de dois fenômenos diferentes, mas que, muitas vezes, se confundem, pelas semelhanças que apresentam. Mas, com certeza, não são invenção da cabeça de Robert. Algumas dessas personalidades, mesmo parecendo ser desdobramentos da personalidade atual, têm a curiosa necessidade de ter uma denominação (nome) diferente.
 Robert é a personalidade original. Como Robert, ele fez carreira acadêmica e chegou a consultor da Casa Branca. Mas o distúrbio que fragmentava sua personalidade (transtorno dissociativo de identidade) fazia com que essas personalidades múltiplas se alternassem provocando o que foi chamado de distúrbio raro.

Bobby, skatista e brincalhão, eternamente com vinte anos, com tendências suicidas. Conforme a Wikipédia, a enciclopédia livre, o skate só teria aparecido no princípio dos anos 60 na Califórnia. Os surfistas da Califórnia queriam fazer das pranchas um divertimento também nas ruas para os dias de pouca onda. Inicialmente, o novo esporte foi chamado de “side walk surf”. Os surfistas pegaram as rodas de seus patins, e colocaram em "shapes", para que assim pudessem surfar em terra firme.
Em 1965, surgiram os primeiros campeonatos, mas o skate só foi ser bastante conhecido uma década depois.
Em 1973, o americano Frank Naswortly inventou as rodinhas de uretano, que revolucionaram o esporte. Então, esta personalidade (Bobby) não pode ter vivido anteriormente em outra existência, já que Oxnam nasceu no ano de 1943 e tem 62 anos, e na época em que nasceu ainda nem havia skate. Assim sendo, o skate tendo sido inventado quando ele tinha 23 anos, se ele não foi praticante, foi um apreciador do esporte, frustrado por não ter praticado enquanto jovem. Então, para compensar essa frustração, a personalidade de Robert desdobrou-se e deu gênese a Bobby, que é o elemento ao qual denominamos Subpersonalidade, um desdobramento da personalidade atual, com uma autodenominação própria, para atender sua necessidade de ser diferente da personalidade real ou original, Robert.

Tommy, garoto de oito anos, sujeito a freqüentes acessos de violência, tanto pode ser uma Personalidade Múltipla quanto uma Subpersonalidade, já que esses acessos de violência tanto podem ser gerados por recalques ou traumas gravados nesta existência, quanto em uma existência anterior.

Wanda, mulher de meia idade, budista e silenciosa e a Bruxa, agressiva e responsável pelas crises de alcoolismo e bulimia de Robert, são, sem dúvida alguma, duas Personalidades Múltiplas. É o que nós chamamos de personalidades com polaridades invertidas, já que são elementos femininos manifestando-se em corpo masculino.
Bob, jovem tímido, obcecado pelos estudos. Passava todo o tempo livre compilando as anotações feitas em aula e Baby, criança com histórico de violência sexual. Vive em pânico, com medo de ser punido.
Estes personagens, tal qual Tommy, tanto podem ser Personalidades Múltiplas quanto Subpersonalidades, pois a obsessão pelos estudos como também o trauma sexual e o medo de ser punido podem ter sido desenvolvidos nesta ou em outras existências. O relato de Veja, bastante sucinto, em forma de notícia, não nos dá elementos suficientes para distinguirmos se é uma coisa ou outra, embora confirmados pelo relato de Baby. Em nosso entendimento esse transtorno dissociativo de identidade é um distúrbio que precisa ser cuidadosamente estudado por nós trabalhadores do psiquismo, pois somos muito procurados por causa de problemas dessa natureza, e com o tratamento de Apometria, Desdobramento Múltiplo, TVP e desenvolvimento da mediunidade, temos alcançado resultados muito animadores, e, às vezes, esses sintomas são facilmente curáveis.

Robbey, adolescente com personalidade oposta à de Bobby, muito tímido, e o Bibliotecário, pesquisador acadêmico de trinta anos, obcecado pelos estudos, que vive cercado de livros, são personagens típicos de Personalidades Múltiplas. Robert não é assim, ao que tudo indica, e não o sendo, não faria um desdobramento de sua personalidade com essas características.
Lawrence, pesquisador como o Bibliotecário, mas sociável e carreirista, pode ser um desdobramento da personalidade atual de Robert (Subpersonalidade), já que o gosto pela pesquisa poderia ser dele mesmo, mas por não ter tido estes desejos satisfeitos, deu gênese a um desdobramento. Mas poderia ser também uma Personalidade Múltipla e estar ainda ativa por apego à pesquisa.

Olhos, presença indefinida, que surgia em momentos de crise para criticar Robert de forma negativa.
Este elemento indefinido poderia bem ser uma “presença” extraconsciência, um espírito. Mas pode também ser uma Personalidade Múltipla.
Concluindo, devemos dizer que muito ainda precisa ser estudado, para que possamos conhecer melhor as propriedades do psiquismo e suas múltiplas possibilidades. Mas, para nossa satisfação, a ciência atual começa a aceitar a existência desses elementos, reforçando a confiabilidade das nossas pesquisas sobre as Personalidades Múltiplas e Subpersonalidades.
FONTE: http://www.holuseditora.com.br/artigos.html

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

APOMETRIA


APOMETRIA

Escrito por Érika Silveira

 A utilização da apometria pode ser considerada como parte da evolução no tratamento espiritual, embora muitos espíritas e espiritualistas ainda não a aceitem ou a utilizem, talvez por falta de uma divulgação adequada e uma maior interação com o assunto.

A apometria é uma técnica que consiste no desdobramento espiritual (emancipação da alma, viagem astral ou projeção da consciência) por intermédio do comando da mente. "Representa o clássico desdobramento entre os componentes materiais somáticos do homem e sua constituição espiritual", de acordo com a definição do livro Apometria- Novos Horizontes da Medicina Espiritual, escrito pelo médico Vitor Ronaldo Costa e publicado pela Casa Editora O Clarim, em 1997.

Esse estado de emancipação da alma dá maior possibilidade ao médium de executar as tarefas assistenciais no plano espiritual, por poder expandir, dessa maneira, sua capacidade sensitiva, além de permitir que esteja no mesmo plano de atuação do desencarnado. Ao mesmo tempo, o paciente, que também fica em estado de emancipação, facilita seu atendimento. Isso ocorre porque no plano astral o campo energético, assim como os desequilíbrios, podem ser observados de uma forma mais ampla pela equipe tanto de trabalhadores encarnados como pelos espíritos benfeitores.

Porém, os estudiosos sérios alertam que não se trata de mediunismo e que deve ser utilizada por pessoas habilitadas, capazes e envolvidas em bons propósitos. "Tenhamos sempre em mente que a apometria é apenas um instrumento auxiliar de manuseio anímico-mediúnico, aplicado com a finalidade de facilitar o acesso do médium à intimidade energética do indivíduo enfermo", relata o médico e autor Vitor Ronaldo. Ele complementa dizendo que a técnica da apometria, quando bem aplicada e sob a cobertura dos bons espíritos, realmente se destaca no diagnóstico de certeza e na condução da terapêutica mais indicada.

A descoberta

Implantada pelo farmacêutico-bioquímico porto-riquenho dr. Luiz Rodrigues, recebeu primeiramente o nome de hipnometria, mas foi fundamentada e desenvolvida cientificamente pelo médico gaúcho dr.José Lacerda de Azevedo.

Dr. Lacerda nasceu em 12 de junho de 1919, em Porto Alegre. Cursou o Instituto de Belas Artes e depois se formou em medicina pela Universidade do Rio Grande de Sul, em 1950. Antes mesmo de tornar-se doutor, em 1947, casou-se com Yolanda da Cunha Lacerda, uma prima que só veio a conhecer na idade adulta e que se tornou mais tarde sua grande companheira de ideais.

Cientista e pesquisador nato, dr. Lacerda sempre buscou respostas para o desconhecido e foi esse desafio que o impulsionou a fundamentar cientificamente a apometria.

Tudo começou no ano de 1965, quando o pesquisador dr. Luiz Rodrigues visitou o Hospital Espírita de Porto Alegre, local onde o dr. Lacerda participava de trabalhos de atendimento socorrista. O médico assistiu duas dessas sessões e ficou impressionado com as demonstrações de hipnometria apresentadas pelo farmacêutico, que não se considerava espírita. Desde então, iniciou sérias investigações sobre o assunto. Resolveu fazer experiências e escolheu sua esposa, Yolanda, para dar início às investigações. Para tanto, cumpriu a metodologia preconizada pelo pesquisador porto-riquenho. Logo constatou a eficiência da técnica, embora tenha preferido adotar a expressão grega Apometria. "APÓ" significa "além de" e "METRON" se refere à "medida" por julgar mais apropriado ao invés de Hipnometria, já que não havia a presença de sono durante a aplicação da técnica.

Esse foi o ponto de partida para que o médico passasse a pesquisar o assunto cada vez mais, com o objetivo de socorrer os enfermos e implantar a terapêutica espiritual. Mas os estudos cresceram mesmo quando o dr. Lacerda recebeu um convite do então presidente do Hospital Espírita de Porto Alegre, Conrado Ferrari, para assumir a Divisão de Pesquisas e levar em frente os experimentos apométricos. Para que o grupo pudesse intensificar os experimentos o trabalho foi implantado em uma casa, que inicialmente era designada para abrigar os próprios funcionários do hospital. Pelo fato da casa ser rodeada de flores e vegetação exuberante ficou conhecida como a Casa do Jardim

Por muitos anos as pesquisas foram crescendo e se aprimorando, mas foi na década de 80 que os trabalhos de apometria se expandiram, principalmente na região sul do país. Em 1990 surgiu a idéia de um encontro de grupos de apometria e, em 1992, o projeto se concretizou. Criou-se a Sociedade Brasileira de Apometria, com o objetivo de promover o intercâmbio entre os grupos e difundir o conhecimento sobre a técnica.

de Apometria, com o objetivo de promover o intercâmbio entre os grupos e difundir o conhecimento sobre a técnica.

Em decorrência do empenho em expandir o assunto, o médico gaúcho publicou dois livros: Espírito/Matéria - Novos Horizontes para a Medicina e Energia e Espírito. O primeiro está com a edição esgotada.

Dr. Lacerda desencarnou em 1997, porém o resultado de seu trabalho permanece.

A utilização

Por intermédio da projeção do perispírito, o médium pode ver e ouvir os espíritos, até mesmo trabalhar no resgate de espíritos sofredores. De acordo com dr. Lacerda, no atendimento aos enfermos, por meio da projeção, coloca-se o médium em contato com as entidades médicas do plano espiritual. Simultaneamente, o mesmo procedimento é feito com o doente, o que possibilita o atendimento do corpo espiritual do enfermo pelos médicos desencarnados, assistidos pelos médiuns em projeção que relatam os fatos que estão ocorrendo durante o tratamento.

Também pode ser utilizada como técnica eficaz no tratamento das obsessões. Essa eficácia acontece em virtude dos espíritos protetores se encontrarem no mesmo plano dos assistidos, podendo agir com maior profundidade e mais rapidez.

Vale lembrar que a projeção do perispírito, tanto do médium quanto do enfermo é obtida por intermédio do emprego de um determinado número de impulsos magnéticos, semelhantes aos passes. Embora a apometria seja uma técnica bastante simples, sua aplicação exige cuidados especiais, como uma cobertura espiritual de nível elevado. Deve ser realizada por grupos de trabalho constituídos para essa finalidade, com atividades regulares como qualquer outro grupo dedicado aos trabalhos de caridade, além da harmonia entre os componentes da equipe.

A apometria tem sido utilizada por muitos grupos como técnica eficiente em auxiliar nos processos obsessivos, já que em geral, as perturbações espirituais decorrem da ação de obsessores. Os espíritos obsessores – na verdade, espíritos infelizes – são afastados, recolhidos e conduzidos para hospitais espirituais, de acordo com seu padrão vibratório. O estado de eman-cipação da alma possibilita que os médiuns possam observar melhor as ligações obsessivas, as áreas do organismo perispiritual atingidas, entre outros fatores.

Isso torna o tratamento muito mais completo por possibilitar o atendimento tanto do paciente quanto dos espíritos perturbadores que o acompanham. Na maioria das vezes, o enfermo nada registra, a não ser em casos de pessoas com maior sensibilidade.

Tratamento integral

Chegará um tempo em que a medicina tratará o Homem de forma integral, unindo os tratamentos físico e espiritual realizados por médicos encarnados e desencarnados. Mesmo porque, a maioria das doenças se inicia no perispírito e depois se manifesta no corpo físico.

Segundo relatos de pesquisadores e de grupos que utilizam a metodologia, independente de religião ou credo, sua aplicação adequada poderá cada vez mais ajudar a expandir o campo da medicina integral. E quanto mais conhecida essa técnica, mais auxiliará os espíritas nos trabalhos de desobsessão e atendimentos espirituais. Paralelamente, novos horizontes se abrirão quando a medicina reconhecer a existência do espírito e que uma infinidade de enfermidades que se manifestam na atualidade podem ter sido causadas no corpo perispiritual em existência passada.

Entrevistamos o dr. Vitor Ronaldo Costa, conhecido médico e pesquisador espírita que utiliza a técnica da Apometria no tratamento, identificando as causas mais profundas das doenças.

Como surgiu a idéia de escrever o livro Apometria - Novos Horizontes da Medicina Espiritual?

Vitor Ronaldo Costa – A idéia ganhou força e se corporificou em decorrência de meu desejo de esclarecer especialmente aos espíritas a palpitante temática da apometria. Estabeleci como propósito mostrar aos confrades a excelência de uma técnica relativamente nova em sua aplicação prática, não obstante encontrar-se embasada no velho magnetismo, no sonambulismo, no desdobramento, na clarividência e em outros enfoques do psiquismo experimental abordados por Allan Kardec no capítulo VIII de O Livro dos Espíritos. Além de tudo, animava-me o desejo de compartilhar com os demais espíritas o conhecimento de algo que se me afigurava de grande utilidade quando acoplado aos trabalhos mediúnicos assistenciais.

A obra foi baseada em dados apresentados no X Congresso Espírita Pan-Americano em 1975. Desde essa, época quais avanços foram mais significativos?

Nos idos de 1974, o dr. José Lacerda de Azevedo já colecionava inúmeras observações interessantes a respeito da apometria. Suas anotações avolumaram-se e serviram mais tarde como ponto de partida de uma obra mais expressiva, na qual a apometria seria desvendada sob a ótica médico-espírita. O ano de 1975 foi importante, porquanto no X Congresso Espírita Pan-Americano realizado em Mar Del Plata, Argentina, o dr. Lacerda, pela primeira vez, tornou pública a sua tese: “Ciência da Espiritualidade Aplicada à Medicina”. No conclave, estavam presentes espíritas de quase todos os países das Américas, especialmente, do Brasil. É claro que pela quantidade de informações repassadas por esse ilustre pesquisador, nem todos os que ali se encontravam compreenderam inicialmente a profundidade do tema, a sua possível ligação com a doutrina e a repercussão do assunto no campo da medicina espiritual. Creio que, desde aquela época até o presente momento, o grande avanço ocorrido relaciona-se com aceitação do assunto por um número cada vez mais expressivo de espíritas. A melhor compreensão da técnica, a sua aplicação nas instituições espíritas à luz do Evangelho do Mestre e a grande contribuição que a mesma empresta aos trabalhos desobsessivos refletem, sem dúvida, o grande avanço dos ideais superiores abraçados pelo dr.Lacerda.

Na qualidade de médico, como o senhor vê o uso da apometria nos tratamentos de saúde?

É como se fôssemos participantes ativos de uma nova era, em que a visão verdadeiramente holística da criatura é levada em consideração. Em decorrência da aplicação da técnica, podemos intentar o diagnóstico de certeza das complexas síndromes de ordem espiritual e optar pelo tratamento específico para o caso, com boas chances de se alcançar resultados alentadores. Com o emprego da metodologia apométrica, descortinamos em profundidade as distonias espirituais, enquanto a Medicina se encarrega da terapêutica clássica voltada para o campo físico. Trata-se de oportuna associação, em que os médicos do espaço cuidam dos aspectos espirituais do enfermo e os médicos terrenos se empenham na reestruturação do organismo físico.

Pretende escrever outro livro abordando a mesma temática?

Sem dúvida. A nova obra já se encontra em fase de elaboração. Esperamos conclui-la dentro de mais alguns meses.

Na atualidade, como está a utilização da apometria no Hospital Espírita de Porto Alegre e em outros grupos espíritas?

Em virtude do esforço conjunto de um grupo de trabalhadores mediúnicos da antiga Casa do Jardim, foi implantada em um bairro de Porto Alegre a sede atual Casa do Jardim. Com isso, houve a transferência das atividades mediúnicas caritativas para o novo endereço, de forma que o hospital permaneceu apenas como referência histórica da apometria. Temos notícias de que os grupos de apometria, aos poucos, vão se multiplicando e integrando, de fato, às atividades assistenciais mediúnicas de muitas instituições espíritas em quase todos os estados brasileiros.

O senhor participa de algum grupo de apometria atualmente?

Sim. Desde o início da década de setenta passei a privar da amizade particular do dr. Lacerda e o acompanhei durante muitos anos, aprendendo e praticando a técnica, quando ainda os trabalhos se realizavam na intimidade do Hospital Espírita de Porto Alegre. A propósito, considero tal período um dos mais importantes da minha atual reencarnação, pois, sem dúvida, equivaleu a uma verdadeira pós-graduação em Medicina Espiritual, fato que norteou todo o meu trabalho assistencial mediúnico no âmbito da doutrina que eu professo, - o Espiritismo. Após minha transferência para Brasília, por força de obrigações profissionais, aqui reiniciei as atividades mediúnicas, utilizando-me da citada técnica. Tivemos, então, a oportunidade de preparar novos médiuns, nas diversas instituições espíritas por onde passamos. De alguns anos para cá, atuamos no Sanatório Espírita de Brasília, com o apoio do dirigente, o sr. Lauro Carvalho.

Cite algum exemplo do uso da apometria.

Digamos que o paciente seja portador de sintomas físicos ou desajustes mentais induzidos pela presença de “aparelhos parasitas”. Esses aparelhos são verdadeiros artefatos fluídicos potencialmente desarmonizadores, sofisticados e eficientes em sua ação nociva, são idealizados por inteligências desencarnadas maléficas e inseridos cuidadosamente no corpo astral dos encarnados com a finalidade de desencadear degenerações celulares, síndromes dolorosas e distonias psíquicas. Com o emprego da técnica apométrica, os médiuns em estado de desdobramento localizam tais artefatos fluídicos com certa facilidade e, sob a cobertura dos mentores espirituais, convidam o próprio obsessor a proceder a retirada dos mesmos, aliás, procedimento ético capaz de permitir o primeiro passo da “entidade” no sentido da própria recuperação espiritual. Como dizíamos, essas síndromes são graves e tendentes a cronificação. Representam verdadeiros desafios à medicina do espírito. Além do mais, fica patenteado que a recuperação do enfermo, nesses casos, não depende só da doutrinação e do encaminhamento do obsessor. É indispensável a remoção dos aparelhos parasitas para que o paciente, de fato, se sinta aliviado da sintomatologia desarmônica. Após o advento da apometria, os grupos mediúnicos estabelecidos em casas espíritas detiveram-se nesses detalhes e, conseqüentemente estão colhendo resultados mais significativos no trato com as obsessões graves. Assim, do mesmo jeito que a medicina terrena vem dominando doenças antes consideradas cármicas, a medicina espiritual, valendo-se de técnicas mais elaboradas, também aperfeiçoou a sua dinâmica de pesquisa e terapêutica, sem que nos afastássemos jamais dos postulados kardequianos, do respeito ao próximo e das exortações evangélicas referentes ao esforço próprio de auto-superação por parte de enfermos da alma.

Quais os principais cuidados a serem tomados em uma sessão de apometria?

Os mesmos que são levados em conta nas sessões mediúnicas tradicionais da Doutrina Espírita. Harmonia entre os participantes, grupos reduzidos, respeito aos horários estabelecidos, prece de harmonização no início das atividades, leitura de um trecho evangélico, seguido de um breve comentário, manutenção elevada do padrão vibratório mental e desejo de ajudar aos necessitados de ambos os lados da vida.

A apometria tem sido bem aceita no meio espírita?

Bem, esta é uma pergunta que merece um esclarecimento. A apometria ainda não é consenso no contexto espírita. Há receios evidentemente infundados, por exemplo: o temor de que se esteja ferindo a pureza doutrinária; o desconhecimento de causa e, por parte de um pequeno grupo, uma certa intolerância com críticas pueris e até certo ponto agressivas, o que é uma lástima. No entanto, de uma maneira geral, o assunto começa a despertar a atenção e o interesse de significativa parcela de espíritas. Por enquanto parece-me que os maiores interessados no assunto são os seguidores de Kardec em decorrência dos vários pontos de contato entre a metodologia apométrica e os postulados doutrinários.

O principal foco do tratamento apométrico é a obsessão?

Eu diria que sim. O nosso interesse é desvendar as causas espirituais dos sofrimentos humanos enfrentados pela Medicina tradicional. Os espíritas, em suas sessões de assistência mediúnica aos sofredores de todos os matizes, jamais pretenderam substituir a Medicina pelo Espiritismo. E, na qualidade de espíritas, nós que praticamos a apometria abraçamos a mesma opinião. Em afinada sintonia com os espíritos terapeutas, nós penetramos no mundo das causas, o que nos facilita a questão do diagnóstico de certeza da maioria das mazelas humanas. Ora as doenças que se manifestam no campo orgânico, na maior parte dos casos, origina-se nos desequilíbrios energéticos identificados no perispírito, quer seja um transtorno anímico de natureza auto-obsessiva, quer seja uma influência externa de ordem obsessiva propriamente dita. Pois bem, a dimensão astral é o nosso campo de atuação. Apenas nos dirigimos às causas, enquanto os servidores da saúde cuidam dos aspectos físicos das mazelas terrenas. Dessa forma, esse empenho converte-se numa simbiose fraterna e salutar entre encarnados e desencarnados, cujos benefícios são hauridos por ambas as partes.

Gostaria de deixar alguma mensagem?

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer à Revista Cristã de Espiritismo a oportunidade que nos foi concedida. Em seguida, desejaria reforçar a minha esperança no progresso científico da doutrina espírita. Recordemos que as revelações responsáveis pela mudança de conduta para melhor do gênero humano são gradativas e oportunas. O amado Mestre presenteou-nos com o seu código supremo de amor e fraternidade. Para evoluirmos devemos incorporar aos nossos corações os exemplos da dignidade Crística. Por sua vez, Allan Kardec legou-nos a codificação espírita, aproximando-nos ainda mais das grandes realidades espirituais que transcendem a dimensão da matéria. André Luiz e Manoel P. de Miranda devassaram as particularidades da obsessão espiritual. E o nosso saudoso Dr.Lacerda abriu-nos as portas da psiquiatria espírita, revelando-nos as técnicas de acesso experimental às dimensões superiores da complexidade humana. Que possamos saber aproveitar com equilíbrio e gratidão tantas dádivas do Mundo Maior. Quando aprendermos a conciliar o amor de Jesus com a ciência terrena, estaremos festejando de fato o início do período de regeneração da raça humana.

Publicado na Revista Cristã de Espiritismo - ed. 30

Fonte:http://www.rcespiritismo.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=53:apometria&catid=34:artigos&Itemid=54

Terapia de Vida Passada

Brian Weiss

Terapia de Vida Passada
Escrito por Victor Rebelo e Érika Silveira
É grande o número de pessoas que dizem ter encontrado na TVP (Terapia de Vidas Passadas) a solução que buscavam há muito tempo para medos, traumas ou dificuldade em lidar com determinadas pessoas ou situações, ou melhor, sensações de origem inexplicável na vida atual.
Mistérios que a Ciência oficial ainda busca compreender, mas que ainda está distante de aceitar que as experiências e lembranças podem ficar armazenadas para sempre nos “arquivos” do espírito. Um vasto acervo de memória guardado no cofre do tempo e que o nosso estágio evolutivo não permite, ainda, compreender tamanha complexidade.
Há estudos que mostram que no velho Egito, sacerdotes-médicos já utilizavam o desdobramento espiritual (projeção da consciência) dos enfermos pela indução magnética para que ampliassem a percepção e conseguissem atingir as causas profundas de seus males. Mas na atualidade, foi com os avanços da psicologia transpessoal, que leva em conta o aspecto espiritual do indivíduo, que a TVP – como é conhecida a Terapia de Vidas Passadas – ganhou maior força. O intercâmbio de conhecimento entre a cultura ocidental e oriental também permitiu o crescimento da terapêutica.
Das técnicas utilizadas pela psicanálise de Freud para a expansão da consciência até a regressão de memória e, posteriormente, a vidas passadas, ocorreram grandes evoluções a respeito, mas é preciso caminhar muito, ainda, para que finalmente corpo e alma entrem em plena conexão.
Embora exista maior divulgação sobre regressões obtidas por intermédio de indução terapêutica, com aplicação de técnicas que promovam estados alterados de consciência, há também aqueles que afirmam terem se recordado de fatos importantes relacionados a existências anteriores através de sonhos. Mas neste caso, vamos abordar apenas as regressões de memória promovidas por especialistas. A terapia utilizada de forma correta e séria possibilita que o paciente, durante as sessões terapêuticas, possa entrar em contato com as lembranças traumáticas que influenciam na atualidade determinados comportamentos, e conseqüentemente, consiga se libertar de padrões estabelecidos em diversas existências.
Os especialistas dizem que a TVP é indicada como um recurso importante na compreensão e superação desses desequilíbrios, mas, assim como qualquer outro tratamento, não funciona como mágica capaz de resolver os problemas de todos os pacientes. Além disso, o tratamento deve ser aplicado por profissionais capacitados e não por qualquer pessoa. É o que alerta a dra. Maria Júlia Peres, considerada a precursora da Terapia de Vidas Passadas no Brasil e fundadora do Instituto Nacional de Pesquisa e Terapia Regressiva Vivencial Peres. Ela associa a terapia cognitivo-comportamental ao uso do estado modificado de consciência, promovido pelo relaxamento físico e mental do paciente. A associação das técnicas permite um processo de auto-resolução dos conflitos interiores e uma reprogramação dos padrões mentais do paciente.
O psiquiatra e conceituado escritor norte-americano, Brian Weiss, especialista em Terapia de Vidas Passadas ressalta, também, sobre o cuidado no momento de escolher o terapeuta adequado, um que saiba diferenciar a imaginação do paciente de uma verdadeira regressão. “Recordo de um paciente que achava que tinha sido Napoleão. Ele via batalhas, uniformes e estratégias de guerra. Nós checamos e os fatos eram realmente reais, mas ele não foi Napoleão, mas um soldado de seu exército e estava, inclusive, a alguns metros dele. Como na vida atual ele era um pessoa que sentia necessidade de poder, acabou fazendo uma distorção da realidade”, relata.
Em recente visita ao Brasil para o lançamento de seu novo livro, Muitas Vidas Uma Só Alma, Brian Weiss concedeu uma entrevista exclusiva a Revista Cristã de Espiritismo.
Dr. Weiss é o autor de vários livros que bateram recordes de vendas, todos baseados em sua experiência como psiquiatra e terapeuta de vidas passadas. Formado pela Columbia University e pela Yale Medical School, Brian L. Weiss M.D. foi diretor do Departamento de Psiquiatria do Mount Sinai Medical Center em Miami.
O médico, que era cético em relação à existência da reencarnação, diz ter mudado sua visão de vida há 25 anos, após um caso de regressão com uma de suas pacientes, durante uma sessão de hipnose. O caso é relatado no livro Muitas Vidas Muitos Mestres, que se tornou recorde de vendas. A partir desse episódio, Brian Weiss passou a trabalhar com terapia de vidas passadas. Em todos esses anos de experiência, foram mais de quatro mil pacientes atendidos, além de um grande número de palestras por diversos países do mundo.
Em geral como é a visão dos americanos em relação à espiritualidade?
Brian Weiss - Está mudando, existem cada vez mais pessoas interessadas no assunto nos EUA. Esse novo conceito vai contra o movimento fundamentalista e ultra-religioso que predomina. Porque religiosidade e espiritualidade são coisas diferentes. A pessoa pode ser extremamente religiosa, mas não ser espiritualizada. Ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas que buscam a espiritualidade, aumenta também a influência, principalmente política, do fundamentalismo, um grupo perigoso, com uma visão fechada a respeito das coisas e que acredita ser dono da verdade. Porém, há nos EUA muitos grupos diferentes, ou seja, diversas correntes de pensamentos.
Os americanos falam sobre Espiritismo?
Sim, de certa forma, mas não como no Brasil, onde a crença é centrada na codificação de Kardec. Eles falam sobre espiritualidade, mas em âmbito mais amplo e geral, o que engloba também outras correntes espiritualistas.
A influência do Protestantismo também está crescendo nos EUA?
Sem dúvida, está crescendo. Para mim a espiritualidade está diretamente relacionada ao amor, independente da religião. A compaixão, a não-violência e a empatia podem estar presentes em qualquer tradição religiosa. Às vezes, penso que o protestantismo está tentando se tornar um só sistema, o que é perigoso demais, porque faz com que as pessoas deixem de ter a mente aberta e se tornem seguidores sem lógica.
Em sua opinião, a Ciência está próxima de provar a existência do espírito?
É difícil medir isso cientificamente, porque hoje em dia tudo é feito com testes de DNA, mas clinicamente é possível verificar um aperfeiçoamento. É fato que existem pessoas se curando de diversos problemas através das memórias de vidas passadas. Quando a pessoa consegue se recordar de uma vida passada, é seu espírito que lembra e não seu corpo, por isso seria difícil comprovar cientificamente, testando-se o cérebro e o DNA. Até agora tem se provado a existência do espírito clinicamente, mas nunca foi utilizado um exame de sangue para isso. Então, ninguém pode provar que funciona através da química cerebral, embora possa ser observada a melhora desses pacientes. É isso que a terapia de vidas passadas e a análise psíquica tem em comum. São técnicas similares que promovem a melhora ou até mesmo, o desaparecimento de sintomas físicos, medos e problemas mentais.
O senhor acredita que algum dia as escolas ensinarão aos alunos temas ligados à natureza espiritual como a reencarnação?
Hoje em dia esse é um assunto importante nos EUA. O país tem a tradição de não ensinar religião nas escolas, eles chamam isso de separação entre a Igreja e o Estado. Na minha opinião é provavelmente o melhor caminho, porque a religião está entrando nas escolas de uma forma errada. Talvez, inserir religião na escola seja uma tarefa mais complicada do que tira-la, porque muitas vezes, dirigentes ignorantes querem impor sua religião. Portanto, seria melhor deixar a religião de lado e deixar essa tarefa para os pais.
Com relação à regressão, ela pode ocorrer sem a interferência de um terapeuta?
Claro que sim, isso acontece o tempo todo. Podemos nos recordar de vidas passadas de forma detalhada por meio dos sonhos. Pode ocorrer, também, quando a pessoa viaja para algum lugar no qual nunca esteve antes e sabe onde tudo se localiza, como se já estivesse estado lá outras vezes. Então existem os sonhos, as memórias espontâneas e o “déjá vu”, expressão de origem francesa que significa “já visto”.
É aconselhável que apenas alguém formado em medicina trabalhe com terapia de vidas passadas ou um médium também atuar nesta área?
São duas coisas diferentes. O médium pode até falar sobre vidas passadas, mas é completamente diferente quando a própria pessoa experimenta e sente novamente as emoções vivenciadas no passado. Nos EUA não temos muitos médiuns, então, não são exatamente eles que fazem isso, mas podem existir pessoas que não possuem treinamento em TVP e isso atrapalha na interpretação de informações. Porque muitos fatos podem ter sentido metafórico ou serem apenas fruto da imaginação. Se o paciente apresentar algum problema psicológico mais significativo, vai precisar de um terapeuta para ajudá-lo a lidar com as emoções revividas.
Existe perigo da pessoa não voltar da hipnose adequadamente?
Eu acredito que não, porque mesmo na hipnose, o subconsciente é muito protetor e não permite que aconteça algo que a pessoa não possa lidar.
Qual foi sua intenção ao escrever o livro A Cura Através da Terapia de Vidas Passadas?
Foi para mostrar as pessoas e ao meio científico que é possível a cura dessa forma. O livro Muitas Vidas Muitos Mestres teve muita repercussão, especialmente entre a comunidade acadêmica, mas entre os psicólogos e psiquiatras houve muita crítica. Então, quis escrever um livro para mostrar que esse assunto é mais importante e sério do que parece. A obra A Cura Através da Terapia de Vidas Passadas relata vários casos de pessoas que obtiveram melhora por meio da regressão. Mostra, também, para que serve e como fazer. Minha intenção foi permitir que médicos e cientistas entendessem o que é exatamente essa terapia e que realmente existe uma sólida base clínica para isso.
Poderia citar algum caso de experiência com regressão a vidas passadas?
Existe um caso famoso sobre uma mulher nos EUA. Ela teve uma memória de uma vida passada na antiga Jerusalém e nessa vida recente, sofreu por dezessete anos com um problema severo de dor nas costas, em conseqüência de um câncer que teve. A cirurgia e os tratamentos radioativos causaram danos em suas costas. Através da lembrança de uma vida passada em Jerusalém e das referências a Jesus nessa época por meio da regressão, ela descreveu sua vida com muitos detalhes. Sua forte dor nas costas desapareceu quando se lembrou desses fatos importantes.
E seu livro mais recente, o Muitas Vidas, Uma só Alma, que além de vidas passadas também aborda vidas futuras?
O livro aborda sobre vidas passadas e o processo de cura, mas também sobre vidas futuras. Muitos dos meus pacientes passaram a penetrar no futuro espontaneamente. Eu dizia a eles: “Vá até onde está o problema” e muitas vezes eles se reportavam ao futuro, não apenas ao passado. Eu estava fazendo pesquisa a respeito de sonhos do futuro (pré-cognitivos) e descobri que muitos de meus pacientes que passaram por uma Experiência de Quase-morte desenvolveram a capacidade de sonhar com o futuro. A partir desse fato, cheguei a conclusão de que, se alguns deles, com essas Experiências Quase-morte podiam fazer isso, outros pacientes, através da hipnose, poderiam também e descobri que realmente podem. Muitos dos meus pacientes puderam se reportar não apenas a fatos futuros dessa vida, mas das próximas existências.
Mas o futuro é algo dinâmico...
O tempo só existe aqui nesse mundo. Os estudos da física quântica, por exemplo, mostram que existem dimensões paralelas. Tudo é energia.
Eu acredito que quanto mais as pessoas mudam nessa vida, mais suas vidas mudarão, porque o futuro não é fixo. É como admite a física moderna, existem muitos mundos paralelos. Então, passei a trabalhar mais com vidas futuras, porém nunca esquecendo das vidas passadas, porque ambas estão conectadas.
Poderia citar algum caso?
Eu fiz muitas pesquisas nessa área, levando indivíduos até o futuro. Posso citar o caso de um pai que estava muito preocupado com sua filha porque ela tinha leucemia. Ele “foi” ao futuro e conseguiu ver seus netos, que seriam filhos dela. Então ele sabia que sua filha iria sobreviver. Ao conseguir vislumbrar o futuro, o pai passou a sentir menos medo, se tornou mais amoroso com a filha e ela respondeu a esse estímulo e realmente obteve a cura.
Outro trabalho que fiz, ainda nesta área, foi levar grupos de pessoas em conferências a um futuro distante. Depois essas pessoas responderam a um questionário relatando suas experiências. Eu fiz isso com milhares de pessoas e chegamos a um consenso desses relatos, principalmente os que dizem respeito a mil anos à frente. Os relatos descreviam um mundo muito bonito, sem doenças, violência e com uma população menos numerosa que atualmente.
É importante ressaltar que no caso de experiências futuras trabalhamos com possibilidades e probabilidades. As pessoas enxergam o futuro mais provável, porque não podemos nos esquecer que temos livre-arbítrio, ou seja, poder de escolha que determinará nosso futuro.
Gostaria de deixa uma mensagem aos leitores da Revista Cristã de Espiritismo?
Eu estive em muitos países e acredito que o Brasil seja um dos lugares mais espiritualizados do mundo, mais até do que a Índia, que já foi bastante, mas as coisas mudaram.
Espero que os brasileiros continuem nesse caminho, porque o Brasil pode ser uma luz para o mundo nesses tempos de escuridão. É importante jamais nos esquecermos de que a alma é o que realmente importa, que nossa real natureza é espiritual e não física. Somos seres espirituais e nós vivemos nessa escola por um tempo, mas não há morte, a alma continua sempre viva.
Entrevista publicada na Revista Cristã de Espiritismo, ed. 39.
FONTE:http://www.rcespiritismo.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=108:terapia-de-vida-passada&catid=34:artigos&Itemid=54